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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Discrição marca os primeiros dias de Dilma


12/01/2011

Cristiano Romero e Rosângela Bittar De Brasília

Há dez dias no cargo, a presidente Dilma Rousseff começa a mostrar um estilo de governar inteiramente distinto ao de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A começar pelos horários. Dilma chega um pouco mais tarde que Lula ao Palácio do Planalto - entre 9h e 9h30 -, mas, geralmente, sai mais tarde - em média, entre 21h30 e 22h. Ao contrário do ex-presidente, começa as reuniões no horário e não tolera atrasos.

Em apenas uma semana e meia, a presidente demonstrou estar muito à vontade no cargo. Seu interesse pela gestão é primordial. Ontem, ela decidiu de última hora participar de uma reunião interministerial, na Casa Civil, agendada para debater o problema da dengue. Ao chegar lá, solicitou, como é de praxe em seus encontros com ministros, um diagnóstico detalhado da situação da doença em todo o país. Depois, cobrou ações, fez raciocínios junto com os presentes e tomou uma decisão: propor um pacto contra a dengue aos Estados mais afetados pela epidemia.

Também diferentemente do ex-presidente Lula, Dilma é discreta. Nestas duas primeiras semanas de gestão, evitou o tipo de exposição pública permanente que seu antecessor adorava ter. Em oito anos de mandato, foi difícil ver Lula um dia sequer sem fazer discursos em algum lugar. "Dilma já desceu do palanque e não vai subir mais", revelou um colaborador.

A presidente discursará pouco, dará entrevistas menos ainda, mas vai conversar com grupos pequenos de jornalistas, em caráter informal, para estabelecer uma comunicação permanente e que lhe permita dialogar com a sociedade. Dilma gosta de discrição e austeridade, e nestes dez dias demonstrou que o estilo "low profile" da transição não era apenas para evitar fazer sombra a Lula enquanto ele ainda estava no poder, mas também seu estilo de executiva total.

Dilma gosta de trabalhar com planejamento. Sua rotina é metódica. Ainda vivendo na Granja do Torto - o Palácio da Alvorada só a receberá e à sua mãe e uma tia depois de passar por uma pintura -, ela acorda às 6h30, caminha na esteira por 45 minutos, lê os jornais e só depois se dirige ao Planalto.

No gabinete, antes de mais nada, a presidente se reúne com um auxiliar direto - Gilles Carriconde Azevedo (chefe de gabinete) - e os chamados ministros da Casa - Antonio Palocci (chefe da Casa Civil), o general José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional) e Helena Chagas (Comunicação). Nesse momento, recebe um briefing completo de cada um sobre suas respectivas áreas de atuação.

Por enquanto, a agenda diária da presidente está repleta de encontros com ministros. Não apareceram ainda empresários, banqueiros e personalidades. Praticamente todas as reuniões são acompanhadas por Palocci. O ministro que mais tem ido conversar com ela é o da Fazenda, Guido Mantega. Outro que sempre aparece, muitas vezes sem avisar, é José Eduardo Cardozo, titular da Justiça.

O principal assunto tratado pela presidente até agora foi, do ponto de vista político, a relação com o PMDB. Do ponto de vista administrativo, a tarefa essencial foi estruturar a forma de trabalhar com os ministros, de conduzir o governo.

A presidente pretende evitar viagens em excesso. Sua agenda internacional é modesta perto do estilo "globetrotter" de Lula, embora tenha propósitos claros. Neste primeiro semestre, ela vai à Argentina e ao Uruguai para mostrar a prioridade que a América do Sul terá em sua política externa. Depois, irá ao Peru para participar da Cúpula América do Sul - Países Árabes.

Mais adiante, Dilma visitará os Estados Unidos com o propósito de se aproximar do presidente Barack Obama, com quem Lula não desenvolveu uma boa relação, e, desta forma, fortalecer uma parceria tradicional da política externa brasileira. Depois, visitará a China para participar da reunião dos Brics, o grupo de países emergentes do qual também fazem parte Índia e Rússia. Antes de iniciar, portanto, o chamado diálogo Sul-Sul, ela vai se avistar com os americanos.

A presidente não deve ir a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, como fez Lula em seu primeiro mês de Presidência. Julga que, ao contrário do ex-presidente, não tem a necessidade de ir àquele fórum porque, agora, o Brasil não está em crise. Ela não fechou totalmente a possibilidade dessa viagem, mas a tendência é ficar em Brasília.

Dilma pretende, também, cumprir as promessas e as expectativas que criou na campanha eleitoral e no período de transição. Nestes primeiros dias de gestão, deu indicações, por exemplo, de que pretende respeitar a autonomia operacional conferida ao Banco Central. Ao contrário de alguns rumores, ela não opinou sobre as medidas cambiais anunciadas por Alexandre Tombini, presidente da instituição. "São medidas do BC. Ponto", observou um auxiliar.

FONTE: VALOR ECONÔMICO
FOTO: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

domingo, 2 de janeiro de 2011

MOMENTO HISTÓRICO - Lula entrega faixa à primeira mulher presidente do Brasil


2/1/2011


No discurso, Dilma elogiou o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve"

Brasília Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), a primeira mulher presidente da República, tomou posse às 14h50 (horário de Brasília) de ontem para o período de primeiro de janeiro 2011 a 31 de dezembro de 2014, em cerimônia dirigida pelo presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP).

A forte chuva em Brasília impediu o desfile em carro aberto que a presidente faria da catedral até o Congresso, mas cessou no momento em que ela subiu a rampa para receber a faixa presidencial das mãos de Lula. O público que foi à Esplanada dos Ministérios era estimado em 30 mil pessoas pela Polícia Militar.

Várias vezes durante a cerimônia os convidados que lotaram o plenário da Câmara aplaudiram de pé a presidente recém empossada e entoaram o hino da primeira eleição disputada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a estrofe "olê, olê, olá. Dilma, Dilma!".

Em seu primeiro discurso, a presidente Dilma Rousseff começou por fazer duas homenagens: às mulheres brasileiras e ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Venho para abrir portas para que, no futuro, muitas outras mulheres possam ser presidentas e para que todas as brasileiras sintam orgulho de ser mulher", disse Dilma, ao reafirmar seu compromisso de "honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos".

Faixa
No discurso que fez ao povo reunido na Praça dos Três Poderes, após receber a faixa do agora ex-presidente da República de Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente focou em elogiar o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve".

Ela disse que o presidente Lula deverá contribuindo com o governo, mesmo após deixar o cargo. "Lula estará conosco. Sei que a distancia de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade", afirmou.

"Ter a honra de seu apoio, privilegio de sua convivência, aprendido com sua imensa sabedoria são coisas que se guarda para a vida toda", destacou.

Ela disse estar feliz "como raras vezes estive" - e fez uma homenagem aos "companheiros que tombaram na caminhada", referindo-se à resistência política durante o período da ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada.

No parlatório do Palácio do Planalto, ela repetiu pontos do discurso feito no Congresso Nacional e disse que irá governar "para todos os brasileiros". "Cuidarei com muito carinho dos mais frágeis".
Dilma também lembrou o ex-vice-presidente José Alencar, que não pôde comparecer à posse. Ele faz tratamento contra um câncer e está hospitalizado em São Paulo, "A força dessa transformação (conduzida por Lula e José Alencar) permitiu que o povo brasileiro tivesse uma nova ousadia: colocar pela primeira vez uma mulher na presidência do Brasil", afirmou. Emocionada, Dilma finalizou sua fala, dizendo que o Brasil tem condições de se tornar o "maior e o melhor país para se viver".

Hoje, Dilma comanda a primeira reunião de coordenação de governo. Os ministros tomam posse ontem. A primeira preocupação da presidente é definir o corte nas despesas do Orçamento, estimado em estudos preliminares em pelo menos R$ 20 bilhões.

Despedida de Lula

Após passar a faixa para Dilma, Lula saiu do parlatório. Depois do discurso, a presidente e o vice acompanharam o ex-presidente na descida da rampa do Planalto.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o protocolo na sua despedida do Palácio do Planalto. Depois de descer a rampa com a presidenta da República, Dilma Rousseff, o vice, Michel Temer, e a mulher Mariza Letícia, Lula foi abraçar as pessoas na Praça dos Três Poderes. O presidente também cumprimentou vários dos seus ex-ministros

O ex-presidente ficou vários minutos no meio do povo provocando uma grande agitação na segurança. Em seguida, entrou no carro e se dirigiu para a Base Aérea de Brasília, onde foi recebido por um grupo de pessoas que um aplaudiu e gritou o seu nome.

Antes de embarcar no Aerolula para São Paulo, o ex-presidente ainda ouviu uma banda tocar, entre outros, o "Tema da Vitória" e o hino do Corinthians, clube do qual é torcedor assumido.

PRESTÍGIO
Chefes de Estado cumprimentam a presidente

Ao receber os cumprimentos das autoridades estrangeiras, no Palácio do Planalto, depois do discurso no parlatório, a presidenta Dilma Rousseff levou mais tempo conversando com alguns líderes políticos. Elas também os abraçou e posou para fotografias. Foram os casos da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica.

Com Hillary, Dilma alternou a conversa em inglês e em português. O tradutor se manteve ao lado das duas para dar suporte. Ambas sorriram e, segundo assessores, há a possibilidade de uma reunião bilateral amanhã (2), no Planalto.

A conversa com Chávez foi mais demorada. O presidente venezuelano foi um dos primeiros líderes estrangeiros a elogiar publicamente a candidatura de Dilma à Presidência da República. Ao chegar a Brasília, Chávez voltou a elogiar Dilma e a reiterar que a tendência, na gestão da presidenta, é a intensificação da política regional.

Dilma conversou demoradamente com Mujica e a mulher dele, a senadora Lucía Topolansky. Como a presidenta, o casal uruguaio tem um passado de luta armada contra a ditadura militar. O cumprimento de Mujica e da primeira-dama uruguaia a Dilma gerou comentários entre eles que os levaram a um sorriso.

Ao abraçar o paraguaio Lugo, Dilma também se demorou. O presidente do Paraguai se recupera de um câncer e ainda apresenta sinais dos efeitos das sessões de quimioterapia - está careca e aparentemente pálido.

O Itamaraty informou que estiveram presentes representantes de 132 países nas cerimônias de posse de Dilma. Mas foram, no total, aproximadamente 80 autoridades entre presidentes, primeiros-ministros, chanceleres e também o príncipe Felipe da Espanha.

Repercussão internacional

Os principais jornais estrangeiros destacaram em suas primeiras páginas onlines a posse da presidente Dilma Rousseff. Os veículos ressaltaram o fato de ser a primeira mulher eleita presidente e também o fato de ser a sucessora e a escolhida por Lula, que deixa a presidência com popularidade recorde.

O norte-americano "The Wall Street Journal" trouxe a notícia no alto de sua página, ressaltando que Dilma tem a responsabilidade de continuar o legado de seu antecessor.

O jornal mencionou o discurso da petista no Congresso e informou que ela reforçou os progressos ocorridos durante o mandato de Lula, principalmente na luta pela erradicação da pobreza, mas que ainda há o que fazer a respeito.

O argentino "Clarin" também trouxe, no alto de sua homepage, imagens e a notícia da posse, apontando que é a primeira mulher presidente e que substituirá Lula, que deixa o cargo com 87% de aprovação. O jornal ressaltou que Lula sai "após oito anos de gestão e com a uma popularidade sem precedentes", citou.

O francês "Le Monde" também destacou a informação em suas páginas online, com fotos de arquivo. "Escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe suceder, ´Dilma´, como é chamada no Brasil, é promessa de garantir a ´continuidade´ política, diplomática, econômica e social do atual governo", informou o jornal.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: BRUNO DOMINGOS/REUTERS

Dilma promete governar para todos do País


2/1/2011


Durante 40 minutos, a presidente do Brasil falou das missões e prioridades do novo governo presidido por ela

Brasília. Em seu discurso de posse, a presidente Dilma Rousseff falou principalmente do legado deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou que sua missão no cargo será ampliar as conquistas dos oito anos de governo de seu antecessor. Logo no início do discurso, ela foi interrompida por aplausos no Plenário do Congresso Nacional, ao fazer referência ao fato de ser a primeira mulher eleita para a presidência da República.
“Será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão. Meu compromisso é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”, declarou ela, que assinou o termo de posse pouco antes.

Sobre seu compromisso a partir desta data histórica, afirmou: “Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Dilma continuou: “A maior homenagem ao presidente Lula é ampliar a avançar as conquistas de seu governo. Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem de nossa história. Minha missão é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma nação das mais geradoras de oportunidades”.

Ela citou como missões “honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”. Ao citar conquistas do governo do qual fez parte, primeiro como ministra das Minas e Energia e depois como chefe da Casa Civil, Dilma disse que há ainda muito a fazer. “Reduzimos nossa dívida social, resgatamos milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudamos outros milhões a alcançarem a classe média. Mas é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar os caminhos e buscar novas soluções. Podemos ser de fato uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social. Para enfrentar esses grandes desafios, é preciso manter os fundamentos que nos levaram até aqui e agregar novos valores”, discursou.

A presidente reafirmou um compromisso de campanha: erradicar a miséria no Brasil. “Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem comida na mesa”, prometeu. Em seguida, Dilma abordou a preocupação com o crescimento econômico e a estabilidade da economia. Caminhos, segundo ela, para sua meta de erradicação da miséria. “É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e novas gerações, é com crescimento que venceremos a desigualdade de renda e desigualdade de desenvolvimento regional. Isso significa manter a estabilidade econômica como valor”.

“Não permitiremos que essa praga (a inflação) volte a corroer nosso tecido econômico e castigar nossas famílias mais pobres”, garantiu.

Outras prioridades

Entre suas prioridades a presidente incluiu outros itens: “Junto com a erradicação da miséria será prioridade no meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança”, disse. Ainda durante o discurso, Dilma prestou homenagem ao vice-presidente de Lula, José de Alencar, que está internado no Hospital Sírio-Libanês e não pode ir à posse. Ela referiu-se ao vice-presidente como um “grande homem”. “Quero, neste momento, prestar minha homenagem ao grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula, o vice-presidente José Alencar”.

A presidente chegou ao Congresso pouco depois das 14h30 (horário de Brasília). Ao lado de Dilma, na solenidade de posse, estavam o vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP); o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS); e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluso. Às 14h50, Dilma prestou o compromisso constitucional e minutos depois Sarney declarou-a empossada no cargo, junto com o vice, Michel Temer. No Plenário do Congresso, gritos de “Dilma, Dilma” vindos da plateia e logo em seguida, a execução do hino nacional. Às 15h, Dilma e Temer assinaram o termo de posse.

GOVERNO FEMININO
População brasileira espera sensibilidade da nova líder

A posse da primeira mulher na Presidência da República alimenta expectativas de que o Governo terá mais sensibilidade social. A opinião é do público que compareceu, na manhã de ontem, à Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, para acompanhar a posse de Dilma Rousseff. Cerca de três mil pessoas se aglomeraram no local.

“Ela vai ter olho para enxergar mais além. Mulher tem um lado mais sensível”, explicou a dona de casa Norvenda Vieira, 50 anos, moradora do Distrito Federal.

Além de mais sensibilidade, há quem acredite em mais disposição política. “A gente [tem outro pensamento, a gente vai atrás, vai buscar”, explicou Marilene Nunes, 34 anos, gari que está trabalhando na posse da presidenta.

A alta expectativa em torno do primeiro mandato de uma presidenta não é só das mulheres. “Esse é um mandato histórico”, falou Luiz Mauro Gonçalves, relações pública que chegou ontem em Brasília vindo de Vitória (ES). Ele espera que Dilma faça um governo técnico, mas sem esquecer dos movimento sociais e que sua passagem pelo poder aumente o interesse das mulheres pela política.

O índio Aisanain Baltu Kamaiurá, estudante de doutorado em linguística na Universidade de Brasília (UnB), acredita que Dilma contribuirá para que “os brasileiros paguem a dívida com os povos indígenas” e para que o País avance na demarcação de terras indígenas.

Já a advogada rondonense Maria Cristina Batista, 35 anos, acredita que Dilma terá “competência para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental”

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: REUTERS

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Popularidade de Lula tem recorde mundial

30/12/2010

PESQUISA CNT/SENSUS

Lula deixa o governo com popularidade que bate presidentes como Michelle Bachelet e Nelson Mandela

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclui seus oito anos de mandato como o chefe de Estado mais bem avaliado do mundo, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em parceria com o Instituto Sensus.

A pesquisa divulgada na tarde de ontem apontou que o índice de aprovação pessoal de Lula atinge 87% entre os entrevistados. "Lula deixa o governo no próximo dia 31 com recorde mundial de popularidade", comentou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

De acordo com a lista, apenas a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet; o ex-presidente da Uruguai, Tabaré Vázquez; e o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, tiveram índices de popularidade tão bons em final de governo. Ainda assim, as médias dos outros líderes ficaram abaixo do índice obtido por Lula.

Presidentes

Segundo informa a pesquisa CNT/Sensus, Michelle Bachelet atingiu 84% de aprovação pessoal ao deixar o governo e Tabaré Vázquez, 80%. Ambos deixaram seus governos este ano.

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, responsável pelo fim do regime do apartheid naquele país, deixou o governo com 82% de aprovação popular em 1999.

A lista aponta ainda Néstor Kirchner, da Argentina (55%), os ex-primeiros-ministros britânicos Tony Blair (44%) e Margaret Thatcher (52%) e o ex-presidente norte-americano Franklin Roosevelt ( 66%).

A CNT não informou qual foi a fonte de informação para formatar a lista. O presidente da CNT esclareceu, apenas, que o Sensus pesquisou fontes credenciadas, que indicassem os índices de aprovação pessoal de presidentes em fim de mandato.

O mesmo levantamento lembra que Fernando Henrique Cardoso tinha apenas 26% de aprovação popular ao concluir os oito anos de governo em 2001. A CNT observa que os ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas já foram citados como os melhores presidentes do Brasil, mas pondera que não há pesquisa de popularidade realizada enquanto estiveram no governo.

Mais uma vez o Nordeste carreia os maiores índices para Lula, com mais de 80% de aprovação. A 110ª edição da pesquisa CNT/Sensus entrevistou duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 Estados, n os dias 23 a 27 de dezembro.

BOA ACEITAÇÃO
Dilma irá assumir com índice de 70% de aprovação

Ainda embalada pela popularidade recorde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a presidente eleita, Dilma Roussef, assumirá a Presidência da República com um índice de 70% de aprovação, traduzido na expectativa de que ela faça um bom governo.

Em 2002, quando havia acabado de ser eleito, o presidente Lula carregava consigo a expectativa de um bom governo por parte de 71% da população, de acordo com a mesma pesquisa.

Nos dados revelados ontem, pela pesquisa CNT/Sensus, 27,7% acham que a presidente fará um "ótimo" governo e 41,5% esperam um "bom" mandato. Já 17,6% acham que a sucessora do presidente Lula a fará um governo "regular", 3,7% responderam "ruim"; e 2,7%, "péssimo".

A saúde pública foi indicada por 46% dos entrevistados como o problema prioritário que Dilma precisará enfrentar. A porcentagem é duas vezes maior que a do problema apontado em segundo lugar, a educação pública (19,5%).

Fonte: Diário do Nordeste
FOTO: ANTONIO CRUZ/ABR

sábado, 18 de dezembro de 2010

Diploma - Dilma exalta Lula e diz que defenderá estabilidade econômica


18 de dezembro de 2010

Em um momento do curto discurso, Dilma pareceu que ia chorar, fez uma pausa, mas segurou as lágrimas. E disse que sua eleição mostrou a maturidade da democracia brasileira, que, segundo ela, rompeu preconceitos

Dilma Rousseff (PT) recebeu, na tarde de ontem, o diploma de presidente da República das mãos de Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em ato que precede a posse no Palácio do Planalto, no dia 1º de janeiro, Dilma leu um discurso, em pouco mais de seis minutos, em que fez elogios ao processo eleitoral brasileiro, ressaltou sua trajetória política e a situação de mulher. Também elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É uma imensa emoção receber esse diploma”, disse. “Tenho enorme disposição de trabalho e estou cheia de esperança para um futuro que acabou de chegar. Sei da responsabilidade de suceder um governante da estatura do presidente Lula e sei dos desafios que nosso futuro comporta.”

Dilma disse que sua eleição, em outubro, mostrou maturidade da democracia brasileira, pois “rompe com os preconceitos, desafia os limites e enche de esperança um povo sofrido”.

Ela creditou os avanços do Brasil, inclusive com uma mudança de mentalidade que permitiu a sua chegada à Presidência, ao presidente Lula. “Quanto orgulho temos ao ver um homem do povo conduzir o País para tanto avanço social e econômico. Tanto avanço que fez o povo eleger uma mulher presidenta”, completou Dilma.

A presidente eleita, por fim, ressaltou que cuidará da “estabilidade econômica e do investimento, tão necessários ao crescimento” do País.

O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), também foi diplomado, mas não discursou.


Estilo

Exibindo uma sobriedade e um estilo que já a diferenciam de Lula, Dilma prometeu ainda defender a liberdade de imprensa e de culto.

No curto discurso, de seis minutos e meio, ela ainda destacou algumas das prioridades de sua futura gestão, como a educação, a segurança das comunidades e a saúde de todos os brasileiros. Por um momento, pareceu que ia chorar e fez uma pausa. Mas segurou as lágrimas.

Para a cerimônia, a presidente eleita convidou a mãe, Dilma Jane, e a filha, Paula. Também foram chamados os ministros já escolhidos, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), além dos três coordenadores de sua campanha, apelidados de “três porquinhos’: Antonio Palocci, futuro ministro da Casa Civil, José Eduardo Cardozo, que assumirá a Justiça, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Dilma também levou para a cerimônia a jornalista Maria Olga Curado, responsável pelos exercícios de aikidô que garantiram tranquilidade à candidata, durante a campanha.

Após a solenidade, participou de coquetel comemorativo no Itamaraty. A presidente eleita chegou ao lado de Lula e Temer. (das agências de notícias)


O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Diplomação é uma etapa formal imprescindível para que o candidato possa tomar posse. Nela, a Justiça Eleitoral reconhece o candidato como eleito e declara-o apto a tomar posse. A partir da diplomação, abre-se prazo de 15 dias para a impugnação do mandato.

FONTE: O POVO
FOTO: Valter Campanato/ABR

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lula fecha governo com 80% de aprovação e bate novo recorde, diz CNI/Ibope


16 de dezembro de 2010


Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

Pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta quinta-feira (16), em Brasília, mostra que o governo Lula encerra seu mandato com recorde de avaliação positiva: 80%. Na avaliação anterior, o percentual era de 77%.

A aprovação pessoal do presidente também apresentou recorde histórico, com 87% de aprovação – o maior desde 2003. Na pesquisa anterior, a avaliação pessoal positiva de Lula chegou a 85%.

“Quando você olha a série histórica [dos dois mandatos do presidente Lula], vê-se que em 2005, houve um grande queda na avaliação do governo, enquanto no segundo mandato, os dados positivos da economia justificam que a população o avalie melhor que no primeiro”, observou o gerente executivo de Pesquisa CNI/Ibope, Renato da Fonseca.

Segundo a CNI/ Ibope, a avaliação positiva do presidente cresceu em todas as regiões do país: no Nordeste (de 92% para 95%), no Norte e Centro-Oeste (de 88% para 90%), Sudeste (de 81% para 85%) e Sul (de 78% para 80%).

Com relação à aprovação do governo, o Nordeste continua sendo a região com melhor avaliação: 86% da população considera o governo do petista como “bom” ou “ótimo”; seguido das regiões Norte e Centro-Oeste (81%); Sudeste (78%) e Sul (75%).

O índice de confiança na figura do presidente também teve elevação: de 81% contra 76% na pesquisa anterior de setembro, quando houve queda com relação a de junho, quando estava em 81%.

Das nove áreas de atuação do governo avaliadas, sete obtiveram avaliação positiva, com destaque para o setor de combate à pobreza, setor mais bem avaliado com 71% de aprovação (o índice anterior era de anterior 66%) e combate ao desemprego, com 66% (o índice anterior era de 64%).

O destaque negativo ficou para as áreas de saúde, com 54% de desaprovação (o percentual anterior era de 57%) e impostos, com 51% de avaliação negativa (manteve o mesmo índice da pesquisa anterior).

Quando questionados sobre os temas mais lembrados no que se refere às ações do governo Lula, os entrevistados indicaram, espontaneamente, as ações das Forças Armadas no Rio de Janeiro no combate ao tráfico de drogas (com 32% das citações). Na sequência, foram lembrados os anúncios da formação do novo governo e os problemas com a aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A pesquisa de opinião foi realizada com 2002 eleitores de 140 municípios brasileiros, entre os dias 4 e 7 de dezembro. Tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.


FONTE: UOL NOTÍCIAS
FOTO: DIVULGAÇÃO

 
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