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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Discrição marca os primeiros dias de Dilma


12/01/2011

Cristiano Romero e Rosângela Bittar De Brasília

Há dez dias no cargo, a presidente Dilma Rousseff começa a mostrar um estilo de governar inteiramente distinto ao de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A começar pelos horários. Dilma chega um pouco mais tarde que Lula ao Palácio do Planalto - entre 9h e 9h30 -, mas, geralmente, sai mais tarde - em média, entre 21h30 e 22h. Ao contrário do ex-presidente, começa as reuniões no horário e não tolera atrasos.

Em apenas uma semana e meia, a presidente demonstrou estar muito à vontade no cargo. Seu interesse pela gestão é primordial. Ontem, ela decidiu de última hora participar de uma reunião interministerial, na Casa Civil, agendada para debater o problema da dengue. Ao chegar lá, solicitou, como é de praxe em seus encontros com ministros, um diagnóstico detalhado da situação da doença em todo o país. Depois, cobrou ações, fez raciocínios junto com os presentes e tomou uma decisão: propor um pacto contra a dengue aos Estados mais afetados pela epidemia.

Também diferentemente do ex-presidente Lula, Dilma é discreta. Nestas duas primeiras semanas de gestão, evitou o tipo de exposição pública permanente que seu antecessor adorava ter. Em oito anos de mandato, foi difícil ver Lula um dia sequer sem fazer discursos em algum lugar. "Dilma já desceu do palanque e não vai subir mais", revelou um colaborador.

A presidente discursará pouco, dará entrevistas menos ainda, mas vai conversar com grupos pequenos de jornalistas, em caráter informal, para estabelecer uma comunicação permanente e que lhe permita dialogar com a sociedade. Dilma gosta de discrição e austeridade, e nestes dez dias demonstrou que o estilo "low profile" da transição não era apenas para evitar fazer sombra a Lula enquanto ele ainda estava no poder, mas também seu estilo de executiva total.

Dilma gosta de trabalhar com planejamento. Sua rotina é metódica. Ainda vivendo na Granja do Torto - o Palácio da Alvorada só a receberá e à sua mãe e uma tia depois de passar por uma pintura -, ela acorda às 6h30, caminha na esteira por 45 minutos, lê os jornais e só depois se dirige ao Planalto.

No gabinete, antes de mais nada, a presidente se reúne com um auxiliar direto - Gilles Carriconde Azevedo (chefe de gabinete) - e os chamados ministros da Casa - Antonio Palocci (chefe da Casa Civil), o general José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional) e Helena Chagas (Comunicação). Nesse momento, recebe um briefing completo de cada um sobre suas respectivas áreas de atuação.

Por enquanto, a agenda diária da presidente está repleta de encontros com ministros. Não apareceram ainda empresários, banqueiros e personalidades. Praticamente todas as reuniões são acompanhadas por Palocci. O ministro que mais tem ido conversar com ela é o da Fazenda, Guido Mantega. Outro que sempre aparece, muitas vezes sem avisar, é José Eduardo Cardozo, titular da Justiça.

O principal assunto tratado pela presidente até agora foi, do ponto de vista político, a relação com o PMDB. Do ponto de vista administrativo, a tarefa essencial foi estruturar a forma de trabalhar com os ministros, de conduzir o governo.

A presidente pretende evitar viagens em excesso. Sua agenda internacional é modesta perto do estilo "globetrotter" de Lula, embora tenha propósitos claros. Neste primeiro semestre, ela vai à Argentina e ao Uruguai para mostrar a prioridade que a América do Sul terá em sua política externa. Depois, irá ao Peru para participar da Cúpula América do Sul - Países Árabes.

Mais adiante, Dilma visitará os Estados Unidos com o propósito de se aproximar do presidente Barack Obama, com quem Lula não desenvolveu uma boa relação, e, desta forma, fortalecer uma parceria tradicional da política externa brasileira. Depois, visitará a China para participar da reunião dos Brics, o grupo de países emergentes do qual também fazem parte Índia e Rússia. Antes de iniciar, portanto, o chamado diálogo Sul-Sul, ela vai se avistar com os americanos.

A presidente não deve ir a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, como fez Lula em seu primeiro mês de Presidência. Julga que, ao contrário do ex-presidente, não tem a necessidade de ir àquele fórum porque, agora, o Brasil não está em crise. Ela não fechou totalmente a possibilidade dessa viagem, mas a tendência é ficar em Brasília.

Dilma pretende, também, cumprir as promessas e as expectativas que criou na campanha eleitoral e no período de transição. Nestes primeiros dias de gestão, deu indicações, por exemplo, de que pretende respeitar a autonomia operacional conferida ao Banco Central. Ao contrário de alguns rumores, ela não opinou sobre as medidas cambiais anunciadas por Alexandre Tombini, presidente da instituição. "São medidas do BC. Ponto", observou um auxiliar.

FONTE: VALOR ECONÔMICO
FOTO: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

domingo, 9 de janeiro de 2011

PERFIL DO GOVERNO - As metas do time de Dilma




9/1/2011


Veteranos no governo, os ministros serão os responsáveis por dar ritmo aos avanços que Dilma pretende conduzir

Dilma Rousseff assume a Presidência com o compromisso de dar continuidade aos projetos políticos iniciados pelo seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi em boa parte devido ao sucesso da estabilidade econômica e dos avanços sociais do governo anterior, sustentadas pelo apadrinhamento de Lula que a nova presidente conseguiu arrematar os 56 milhões de votos e o posto mais alto do Executivo.

Se continuidade é o lema de Dilma, a convocação do time do primeiro escalão do Governo não poderia ser diferente. A presidente começa o mandato com 15 dos 37 ministros de Lula. São vários nomes mantidos (Guido Mantega, Nelson Jobim, Fernando Haddad, entre outros) ou realocados (Paulo Bernardo e Miriam Belchior) - fora os que estão voltando ao Governo (Antonio Palocci e Edson Lobão).

Veteranos em Presidência petista, os ministros serão os responsáveis por dar o ritmo aos avanços que a maestrina Dilma pretende conduzir no País.

Ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci assume a Casa Civil com a tarefa de readequar as funções da pasta para suas atribuições originais.

Por conta disso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o "Minha Casa, Minha Vida" serão agora coordenados pelo Ministério do Planejamento, que tem no comandado Miriam Belchior.

Articulador político competente e dono de respeitada influência no Congresso e entre os empresários, ele cuidará mais da parte política do Governo.

Ao lado dele, estará José Eduardo Cardozo, o titular da Justiça. Os dois estiveram juntos na coordenação da campanha de Dilma e tendem a exercer a mesma função no Governo, embora Palocci seja o principal interlocutor dos partidos aliados.

O deputado Luiz Eduardo Cardozo deverá priorizar no Ministério da Justiça o combate ao crime organizado, à violência e às drogas. Para isso, a vigilância das fronteiras será reforçada, coibindo a entrada de armamentos e drogas.

Outra medida polêmica que deve ser tomada por Cardozo é a realização de um consulta pública, por meio de referendo ou plebiscito, para discutir a descriminalização do uso de drogas.

Com relação à legislação processual, o ministro já teria sinalizado que é a favor de reformas. Ele defende a redução da possibilidade de recursos, que a tramitação de papéis seja totalmente informatizada e que o acesso à Justiça seja mais barato e democrático.

Uma mistura de técnico e político. É assim que o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pretende governar uma pasta que representa o segundo maior orçamento da União e também a área do Governo Lula mais mal avaliada pela população, de acordo com a pesquisa Datafolha.

A meta principal de Padilha é o aprimoramento da gestão do dinheiro, que em 2011 vai contar com cerca de R$ 71 bilhões. Somados a recursos de Estados e municípios, o investimento chega a R$ 120 bilhões anuais.

Padilha defende um aumento dos recursos para a saúde, mas não menciona de onde poderiam vir os investimentos adicionais.

O ministro defende a adoção de um contrato de metas com governadores e prefeitos. Pelo acerto, o governo federal poderia deixar de enviar dinheiro para estados e municípios se as metas de qualidade e o volume de atendimentos não forem cumpridos.

Nos planos do novo titular da Saúde também estão da foco especial na saúde da mulher e da criança, fazer mais unidades de pronto atendimento, criar um programa nacional de prevenção e tratamento a dependentes de crack, enfrentar a dengue e promover a distribuição de medicamentos contra diabetes e hipertensão.

Melhorias no ensino

Veterano na Educação, Fernando Haddad tem mais alguns anos de missões árduas pela frente. Para que a educação brasileira chegue a um patamar de qualidade minimamente aceitável, o ministro pretende universalizar o ensino médio, melhorar o serviço das creches e investir na valorização e carreira dos professores.

Segundo Haddad, no Governo Dilma, o ensino médio precisa se integrar com o trabalho, a cultura e o desporto a fim de oferecer perspectivas múltiplas de atendimento ao jovem.

Ainda no início do ano, Haddad vai apresentar uma proposta deve servir de base para a elaboração de uma prova nacional de concurso de ingresso na carreira docente. A primeira edição deve ocorrer em 2012.

Área social

Caberá a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo, coordenar o programa para erradicar a pobreza no Brasil. A proposta terá os moldes do Programa de Aceleração do Crescimento, com metas claras de gestão e monitoramento.

O objetivo é ampliar os programas de inclusão produtiva, a rede de benefícios sociais já existentes, como oferta de saneamento básico, além de políticas voltadas à educação e saúde.

SUPORTE
Técnicos ajudam na gestão de ministro

Depois de aceitar o critério político para partilhar sua equipe ministerial com os partidos aliados, a presidente Dilma Rousseff resolveu fortalecer a gestão das pastas nomeando secretários executivos mais experientes e ligados aos setores onde atuarão.

Com isso, espera blindar seu ministério de um eventual apagão de gestão por conta da necessidade de atender politicamente os partidos que ajudaram sua campanha eleitoral.

Assim, técnicos que chegaram a assumir a titularidade de ministérios terão esse papel comandando secretarias executivas. Será assim com Carlos Gabas, que será o número dois no Ministério da Previdência Social, depois de chefiar a pasta na maior parte do último ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A experiência de Gabas no setor servirá de amparo técnico para o trabalho do novo ministro, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), escolhido para o cargo na cota política do PMDB. Sem experiência no setor, durante sua posse, Garibaldi reconheceu publicamente a necessidade da parceria com Gabas e revelou ter apelado pessoalmente para que o ex-ministro aceitasse ficar na secretaria executiva em vez aceitar o convite para presidir os Correios.

No Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann fez o mesmo caminho, deixando o comando da pasta, que volta a ser ocupada pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA), para retornar à secretaria executiva.

Na Casa Civil, outro ministro político, Antônio Palocci, terá Beto Vasconcelos como principal auxiliar. Ele era subchefe de Assuntos Jurídicos na Casa Civil trabalhando justamente ao lado de Dilma e leva para Palocci a experiência de lidar com o estilo administrativo que a nova presidente mantinha no órgão.

A nomeação da cearense Ana Fonseca para o segundo posto do Ministério de Desenvolvimento Social também funcionará de maneira semelhante com a ministra Tereza Campello. Na sua primeira passagem pelo ministério, Ana participou da formulação e implementação do programa Bolsa Família. Agora, poderá passar sua vivência na execução da proposta de erradicação da miséria no País.

O expediente não é uma novidade dentro do governo federal. O ex-presidente Fernando Henrique manteve sempre uma equipe de gestores técnicos em várias secretarias de ministérios. A lista de secretários incluiu quadros importantes como Antônio Anastasia, Pedro Parente, Milton Seligman, Martus Tavares, José Luiz Portella e Guilherme Dias, entre outros.



JULIANNA SAMPAIO
ESPECIAL PARA A NACIONAL

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: ROBERTO STUCKERT FILHO/PR

domingo, 2 de janeiro de 2011

QUEM É DILMA ROUSSEFF - A trajetória de vida de Dilma Vana Rousseff


2/1/2011


Dilma tem uma biografia que se confunde com os fatos mais marcantes da história do Brasil

O 1º de janeiro de 2011 ficará marcado para sempre como um dos fatos mais importantes da história política e social do País. Ontem, em um sábado fora do comum na Capital Federal, o mundo inteiro esteve de olhos e ouvidos bem abertos para acompanhar o momento em que a primeira mulher recebeu a faixa presidencial no País.

Eleita no dia 31 de outubro com 12 milhões de votos, Dilma Vana Rousseff tem uma biografia que se confunde com os fatos mais marcantes da história recente do Brasil, como a luta contra a Ditadura Militar, a redemocratização do País e a divisão da ordem política em dois principais blocos comandados pelo PT e pelo PSDB.

De origem búlgara, Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Começou a vida política ainda no colegial, na oposição ao regime de 1964. Participou da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (Polop), movimento que reunia dissidentes do PCB e do PSB.

Na Polop, conheceu o primeiro marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Ao lado dele, optou pela luta armada e se juntou ao Comando de Libertação Nacional. Em 1970, foi presa e detida no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi torturada. Condenada pela Ditadura, foi levada ao Presídio Tiradentes. Libertada no fim de 1972, mudou-se para Porto Alegre, terra de seu marido Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve a filha, Paula.

No Rio Grande do Sul, cursou Ciências Contábeis e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). No estado, ela comandou a Secretaria de Finanças de Porto Alegre, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) e a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações.

Com um ano de PT, Dilma foi convidada para assumir no primeiro Governo Lula o Ministério das Minas e Energia com a missão de evitar um novo apagão. Na pasta, criou um modelo para regulamentar o setor energético e lançou o projeto "Luz para Todos", que tem o objetivo de levar energia elétrica para as comunidades rurais.

No estopim da crise do mensalão, em 2005, Dilma substituiu José Dirceu na Casa Civil, passando a se concentrar na gestão do Governo e nos programas prioritários para Lula.

No fim de 2006, participou da elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de obras de infraestrutura com investimentos federais. Por conta de sua capacidade administrativa, ela foi incluída nas especulações eleitorais.

Indicada por Lula para ser sua substituta, Dilma passou por uma metamorfose. O lado durão foi substituído por sorrisos e os óculos de grau por lentes de contato.

Na disputa com o tucano José Serra, teve de superar boatos sobre sua vida pessoal, seu passado no combate à Ditadura e mesmo sobre sua saúde, embora tenha superado o câncer linfático que descobriu possuir em abril de 2009.

Dilma venceu as eleições com cerca de 56% dos votos . Aos 63 anos, assume seu primeiro cargo eletivo, ao lado do vice Michel Temer, com a função de dar continuidade a um projeto político iniciado pelo seu antecessor. É o fim da era Lula e o início de uma década em que o País deve retomar os avanços e conquistas.

AMÉRICA LATINA
Apenas 11 países já tiveram mulheres na Presidência

A economista Dilma Rousseff assume a Presidência do Brasil com o desafio de colocar sua marca num país que nunca teve uma mulher neste cargo, tarefa similar à de outras mulheres no exercício do poder na América Latina.

No continente que tem 33 países, apenas a Argentina teve duas mulheres no comando da nação. Outros oito países tiveram uma mulher presidente: Bolívia, Haiti, Nicarágua, Equador, Guiana, Panamá, Chile e Costa Rica. Nesse grupo, sete foram eleitas e três ocuparam a presidência interinamente.

Dilma será a 11ª presidente na América Latina. Assim como as outras líderes da região, ela também terá o dever de mostrar que é capaz de exercer o poder sem a tutela masculina e sem a sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu mentor político.

O mesmo desafio é enfrentado pela presidentes da Argentina e da Costa Rica, Cristina Kirchner e Laura Chinchilla, que, ao longo do mandato, lutam para conduzir seus respectivos países com suas próprias decisões e objetivos políticos, livrando-se do estigma de ter sido primeira-dama ou de ter um presidente como padrinho.

Laura recebeu a faixa presidencial de Óscar Arias, companheiro de partido e de quem ela foi ministra da Justiça e vice-presidente. Durante o governo Arias, ela lançou o primeiro plano da política costarriquenha. Em sete meses de mandato, Laura tem se distanciado do líder local, imprimindo sua marca no país.

Já Cristina, quando ocupou o Senado demonstrou ser mais eficiente que o e marido, Néstor, que também foi presidente. No entanto, após receber a faixa do marido parecia não ter uma trajetória na política.

A ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, mostrou que não era apenas uma criação do ex-presidente Ricardo Lagos, mas uma figura pública. Antes de ocupar o palácio de La Moneda, ela teve a sensível tarefa de ser ministra da Defesa para negociar com forças armadas ainda influenciadas pela figura do ex-ditador Augusto Pinochet.

No Chile, Bachelet implementou uma política de paridade e programas sociais que favorecem a mulher. Como reconhecimento de suas políticas em prol das causas femininas, ela assumiu, ontem, a direção executiva da organização ONU Mulheres, entidade criada para reunir as políticas de promoção dos direitos das mulheres.

JULIANNA SAMPAIO
ESPECIAL PARA A NACIONAL

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: REUTERS

MOMENTO HISTÓRICO - Lula entrega faixa à primeira mulher presidente do Brasil


2/1/2011


No discurso, Dilma elogiou o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve"

Brasília Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), a primeira mulher presidente da República, tomou posse às 14h50 (horário de Brasília) de ontem para o período de primeiro de janeiro 2011 a 31 de dezembro de 2014, em cerimônia dirigida pelo presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP).

A forte chuva em Brasília impediu o desfile em carro aberto que a presidente faria da catedral até o Congresso, mas cessou no momento em que ela subiu a rampa para receber a faixa presidencial das mãos de Lula. O público que foi à Esplanada dos Ministérios era estimado em 30 mil pessoas pela Polícia Militar.

Várias vezes durante a cerimônia os convidados que lotaram o plenário da Câmara aplaudiram de pé a presidente recém empossada e entoaram o hino da primeira eleição disputada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a estrofe "olê, olê, olá. Dilma, Dilma!".

Em seu primeiro discurso, a presidente Dilma Rousseff começou por fazer duas homenagens: às mulheres brasileiras e ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Venho para abrir portas para que, no futuro, muitas outras mulheres possam ser presidentas e para que todas as brasileiras sintam orgulho de ser mulher", disse Dilma, ao reafirmar seu compromisso de "honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos".

Faixa
No discurso que fez ao povo reunido na Praça dos Três Poderes, após receber a faixa do agora ex-presidente da República de Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente focou em elogiar o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve".

Ela disse que o presidente Lula deverá contribuindo com o governo, mesmo após deixar o cargo. "Lula estará conosco. Sei que a distancia de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade", afirmou.

"Ter a honra de seu apoio, privilegio de sua convivência, aprendido com sua imensa sabedoria são coisas que se guarda para a vida toda", destacou.

Ela disse estar feliz "como raras vezes estive" - e fez uma homenagem aos "companheiros que tombaram na caminhada", referindo-se à resistência política durante o período da ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada.

No parlatório do Palácio do Planalto, ela repetiu pontos do discurso feito no Congresso Nacional e disse que irá governar "para todos os brasileiros". "Cuidarei com muito carinho dos mais frágeis".
Dilma também lembrou o ex-vice-presidente José Alencar, que não pôde comparecer à posse. Ele faz tratamento contra um câncer e está hospitalizado em São Paulo, "A força dessa transformação (conduzida por Lula e José Alencar) permitiu que o povo brasileiro tivesse uma nova ousadia: colocar pela primeira vez uma mulher na presidência do Brasil", afirmou. Emocionada, Dilma finalizou sua fala, dizendo que o Brasil tem condições de se tornar o "maior e o melhor país para se viver".

Hoje, Dilma comanda a primeira reunião de coordenação de governo. Os ministros tomam posse ontem. A primeira preocupação da presidente é definir o corte nas despesas do Orçamento, estimado em estudos preliminares em pelo menos R$ 20 bilhões.

Despedida de Lula

Após passar a faixa para Dilma, Lula saiu do parlatório. Depois do discurso, a presidente e o vice acompanharam o ex-presidente na descida da rampa do Planalto.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o protocolo na sua despedida do Palácio do Planalto. Depois de descer a rampa com a presidenta da República, Dilma Rousseff, o vice, Michel Temer, e a mulher Mariza Letícia, Lula foi abraçar as pessoas na Praça dos Três Poderes. O presidente também cumprimentou vários dos seus ex-ministros

O ex-presidente ficou vários minutos no meio do povo provocando uma grande agitação na segurança. Em seguida, entrou no carro e se dirigiu para a Base Aérea de Brasília, onde foi recebido por um grupo de pessoas que um aplaudiu e gritou o seu nome.

Antes de embarcar no Aerolula para São Paulo, o ex-presidente ainda ouviu uma banda tocar, entre outros, o "Tema da Vitória" e o hino do Corinthians, clube do qual é torcedor assumido.

PRESTÍGIO
Chefes de Estado cumprimentam a presidente

Ao receber os cumprimentos das autoridades estrangeiras, no Palácio do Planalto, depois do discurso no parlatório, a presidenta Dilma Rousseff levou mais tempo conversando com alguns líderes políticos. Elas também os abraçou e posou para fotografias. Foram os casos da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica.

Com Hillary, Dilma alternou a conversa em inglês e em português. O tradutor se manteve ao lado das duas para dar suporte. Ambas sorriram e, segundo assessores, há a possibilidade de uma reunião bilateral amanhã (2), no Planalto.

A conversa com Chávez foi mais demorada. O presidente venezuelano foi um dos primeiros líderes estrangeiros a elogiar publicamente a candidatura de Dilma à Presidência da República. Ao chegar a Brasília, Chávez voltou a elogiar Dilma e a reiterar que a tendência, na gestão da presidenta, é a intensificação da política regional.

Dilma conversou demoradamente com Mujica e a mulher dele, a senadora Lucía Topolansky. Como a presidenta, o casal uruguaio tem um passado de luta armada contra a ditadura militar. O cumprimento de Mujica e da primeira-dama uruguaia a Dilma gerou comentários entre eles que os levaram a um sorriso.

Ao abraçar o paraguaio Lugo, Dilma também se demorou. O presidente do Paraguai se recupera de um câncer e ainda apresenta sinais dos efeitos das sessões de quimioterapia - está careca e aparentemente pálido.

O Itamaraty informou que estiveram presentes representantes de 132 países nas cerimônias de posse de Dilma. Mas foram, no total, aproximadamente 80 autoridades entre presidentes, primeiros-ministros, chanceleres e também o príncipe Felipe da Espanha.

Repercussão internacional

Os principais jornais estrangeiros destacaram em suas primeiras páginas onlines a posse da presidente Dilma Rousseff. Os veículos ressaltaram o fato de ser a primeira mulher eleita presidente e também o fato de ser a sucessora e a escolhida por Lula, que deixa a presidência com popularidade recorde.

O norte-americano "The Wall Street Journal" trouxe a notícia no alto de sua página, ressaltando que Dilma tem a responsabilidade de continuar o legado de seu antecessor.

O jornal mencionou o discurso da petista no Congresso e informou que ela reforçou os progressos ocorridos durante o mandato de Lula, principalmente na luta pela erradicação da pobreza, mas que ainda há o que fazer a respeito.

O argentino "Clarin" também trouxe, no alto de sua homepage, imagens e a notícia da posse, apontando que é a primeira mulher presidente e que substituirá Lula, que deixa o cargo com 87% de aprovação. O jornal ressaltou que Lula sai "após oito anos de gestão e com a uma popularidade sem precedentes", citou.

O francês "Le Monde" também destacou a informação em suas páginas online, com fotos de arquivo. "Escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe suceder, ´Dilma´, como é chamada no Brasil, é promessa de garantir a ´continuidade´ política, diplomática, econômica e social do atual governo", informou o jornal.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: BRUNO DOMINGOS/REUTERS

Dilma promete governar para todos do País


2/1/2011


Durante 40 minutos, a presidente do Brasil falou das missões e prioridades do novo governo presidido por ela

Brasília. Em seu discurso de posse, a presidente Dilma Rousseff falou principalmente do legado deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou que sua missão no cargo será ampliar as conquistas dos oito anos de governo de seu antecessor. Logo no início do discurso, ela foi interrompida por aplausos no Plenário do Congresso Nacional, ao fazer referência ao fato de ser a primeira mulher eleita para a presidência da República.
“Será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão. Meu compromisso é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”, declarou ela, que assinou o termo de posse pouco antes.

Sobre seu compromisso a partir desta data histórica, afirmou: “Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Dilma continuou: “A maior homenagem ao presidente Lula é ampliar a avançar as conquistas de seu governo. Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem de nossa história. Minha missão é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma nação das mais geradoras de oportunidades”.

Ela citou como missões “honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”. Ao citar conquistas do governo do qual fez parte, primeiro como ministra das Minas e Energia e depois como chefe da Casa Civil, Dilma disse que há ainda muito a fazer. “Reduzimos nossa dívida social, resgatamos milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudamos outros milhões a alcançarem a classe média. Mas é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar os caminhos e buscar novas soluções. Podemos ser de fato uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social. Para enfrentar esses grandes desafios, é preciso manter os fundamentos que nos levaram até aqui e agregar novos valores”, discursou.

A presidente reafirmou um compromisso de campanha: erradicar a miséria no Brasil. “Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem comida na mesa”, prometeu. Em seguida, Dilma abordou a preocupação com o crescimento econômico e a estabilidade da economia. Caminhos, segundo ela, para sua meta de erradicação da miséria. “É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e novas gerações, é com crescimento que venceremos a desigualdade de renda e desigualdade de desenvolvimento regional. Isso significa manter a estabilidade econômica como valor”.

“Não permitiremos que essa praga (a inflação) volte a corroer nosso tecido econômico e castigar nossas famílias mais pobres”, garantiu.

Outras prioridades

Entre suas prioridades a presidente incluiu outros itens: “Junto com a erradicação da miséria será prioridade no meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança”, disse. Ainda durante o discurso, Dilma prestou homenagem ao vice-presidente de Lula, José de Alencar, que está internado no Hospital Sírio-Libanês e não pode ir à posse. Ela referiu-se ao vice-presidente como um “grande homem”. “Quero, neste momento, prestar minha homenagem ao grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula, o vice-presidente José Alencar”.

A presidente chegou ao Congresso pouco depois das 14h30 (horário de Brasília). Ao lado de Dilma, na solenidade de posse, estavam o vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP); o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS); e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluso. Às 14h50, Dilma prestou o compromisso constitucional e minutos depois Sarney declarou-a empossada no cargo, junto com o vice, Michel Temer. No Plenário do Congresso, gritos de “Dilma, Dilma” vindos da plateia e logo em seguida, a execução do hino nacional. Às 15h, Dilma e Temer assinaram o termo de posse.

GOVERNO FEMININO
População brasileira espera sensibilidade da nova líder

A posse da primeira mulher na Presidência da República alimenta expectativas de que o Governo terá mais sensibilidade social. A opinião é do público que compareceu, na manhã de ontem, à Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, para acompanhar a posse de Dilma Rousseff. Cerca de três mil pessoas se aglomeraram no local.

“Ela vai ter olho para enxergar mais além. Mulher tem um lado mais sensível”, explicou a dona de casa Norvenda Vieira, 50 anos, moradora do Distrito Federal.

Além de mais sensibilidade, há quem acredite em mais disposição política. “A gente [tem outro pensamento, a gente vai atrás, vai buscar”, explicou Marilene Nunes, 34 anos, gari que está trabalhando na posse da presidenta.

A alta expectativa em torno do primeiro mandato de uma presidenta não é só das mulheres. “Esse é um mandato histórico”, falou Luiz Mauro Gonçalves, relações pública que chegou ontem em Brasília vindo de Vitória (ES). Ele espera que Dilma faça um governo técnico, mas sem esquecer dos movimento sociais e que sua passagem pelo poder aumente o interesse das mulheres pela política.

O índio Aisanain Baltu Kamaiurá, estudante de doutorado em linguística na Universidade de Brasília (UnB), acredita que Dilma contribuirá para que “os brasileiros paguem a dívida com os povos indígenas” e para que o País avance na demarcação de terras indígenas.

Já a advogada rondonense Maria Cristina Batista, 35 anos, acredita que Dilma terá “competência para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental”

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: REUTERS

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conheça os 37 ministros de Dilma Rousseff



Dos 37 auxiliares, 17 são filiados ao PT, seis ao PMDB e dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Há nove mulheres na equipe.

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente eleita Dilma Rousseff definiu nesta quarta-feira os últimos integrantes de sua equipe ministerial.

Dos 37 auxiliares, 17 são filiados ao PT, seis ao PMDB e dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Há nove mulheres na equipe.

Veja abaixo os ministros do futuro governo que assume em 1o de janeiro:

* AGRICULTURA - Wagner Rossi (PMDB) - Fazendeiro de Ribeirão Preto (SP) com extensa carreira em cargos públicos, é formado em Direito pela USP com diversos cursos de pós-graduação, alguns no exterior. Foi deputado federal por três legislaturas e deputado estadual por duas em São Paulo, além de ter assumido diversas secretarias paulistas.

* BANCO CENTRAL - Alexandre Tombini - Funcionário do BC desde 1995, tem experiência no combate à inflação, mas terá que mostrar capacidade de resistir a pressões políticas. Aos 46 anos, trabalhou na formulação do regime de metas de inflação.

* CASA CIVIL - Antonio Palocci (PT) - Ex-ministro da Fazenda da gestão Lula (2003-2006), deixou a pasta sob escândalo e retorna como homem de bastidor que faz a ponte do governo com setores da economia. Na Fazenda, obteve a confiança do mercado financeiro pela austeridade com as contas públicas e na Casa Civil terá a função de coordenar as ações de governo. Tem 50 anos.

* CIDADES - Mário Negromonte (PP-BA) - Deputado e advogado de 60 anos, já pertenceu ao PMDB e PSDB. Va substituir Marcio Fortes, também do PP. Muito cobiçada, a pasta de Cidades, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, é responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

* CIÊNCIA E TECNOLOGIA - Aloizio Mercadante (PT) - Economista e senador eleito com mais de 10 milhões de votos em 2002, saiu derrotado das eleições para o governo paulista em 2006 e 2010. Sem mandato a partir do ano que vem, foi contemplado com o ministério. Aos 56 anos, ensaiou deixar a liderança do PT no Senado para marcar sua insatisfação contra orientação da direção do partido pelo arquivamento de processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

* CULTURA - Ana de Hollanda - Irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda, é atriz e cantora. Tem 62 anos e foi diretora do centro de música da Funarte. Ela estreou em 1964 em show musical no colégio Rio Branco, integrando o vocal Chico Buarque e As Quatro Mais, em SP. Após divulgação de seu nome para integrar ministério, postou no twitter que 'o desafio é enorme, mas nada que seja impossível para quem respira cultura'.

* COMUNICAÇÕES - Paulo Bernardo (PT) - Sem ter concluído curso universitário, o ex-bancário de 58 anos, eleito três vezes deputado federal pelo Paraná, direcionou sua vida política a assuntos relacionados a finanças públicas, caminho que o levou a ser escolhido para assumir o Ministério do Planejamento de Lula em 2005. Terá como desafios assumir o novo marco regulatório das comunicações e introduzir o Plano Nacional da Banda Larga.

* DEFESA - Nelson Jobim (PMDB) - Chegou ao comando da Defesa em 2007 em meio ao caos aéreo, após o acidente com um avião da TAM em São Paulo. No seu currículo, possui a marca de ter ocupado cargos de primeiro escalão nas três esferas de poder. Gaúcho de 64 anos, foi indicado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1997 e presidiu a Corte entre 2004 e 2006. Já foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul e comandou o Ministério da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso.

* DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO - Afonso Florence (PT) - Sua indicação mantém a Democracia Socialista (DS), tendência do PT, à frente da pasta que cuida da reforma agrária, repetindo medida do governo Lula. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, era secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia até este ano. Tem 60 anos e elegeu-se deputado federal neste ano.

* DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - Fernando Pimentel (PT) - Ex-prefeito de Belo Horizonte e militante contra a ditadura militar, é um dos fundadores do PT. Formado em Economia e mestre em Ciências Políticas, é amigo pessoal de Dilma Rousseff. Deixou a coordenação da campanha da petista após citação em escândalo. Saiu derrotado da eleição ao Senado em Minas. Tem 59 anos.

* DESENVOLVIMENTO SOCIAL - Tereza Campello (PT) - É subchefe de articulação e monitoramento da Casa Civil, onde se dedica ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atua desde agosto de 2004. É gaúcha, economista e foi secretária do governo do Rio Grande do Sul antes de atuar no governo de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

* EDUCAÇÃO - Fernando Haddad (PT) - Assumiu a pasta em 2005 e tem a confiança de Dilma. Foi mantido no posto mesmo após dois momentos críticos relacionados ao Enem. Paulistano, de 47 anos, liderou a expansão das universidades federais e o programa Prouni.

* ESPORTE - Orlando Silva (PCdoB) - Baiano de Salvador, chegou ao comando da pasta em 2006. Aos 39 anos, leva no currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.

* FAZENDA - Guido Mantega (PT) - Aos 61 anos, foi mantido no cargo que ocupa há cinco anos no governo Lula. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente em meio a críticas de pouco rigor com as contas públicas. O desempenho econômico favorável, que levou as taxas de desemprego a mínimas históricas, foi decisivo para garantir a eleição de Dilma Rousseff, mas não assegurou a Mantega a preferência de analistas do mercado financeiro.

* INTEGRAÇÃO NACIONAL - Fernando Bezerra Coelho (PSB) - Pernambucano de Petrolina, Bezerra, de 53 anos, atuava como secretário de Desenvolvimento de Pernambuco. Foi prefeito de sua cidade natal por três vezes. Elegeu-se também deputado estadual, em 1982, e deputado federal, quatro anos depois. Foi a principal indicação do PSB no governo Dilma.

* JUSTIÇA - José Eduardo Cardozo (PT) - Advogado paulistano de 51 anos, é secretário-geral do PT e foi coordenador da campanha eleitoral de Dilma. Atuou na primeira gestão da Prefeitura de São Paulo com a prefeita Luiza Erundina (1989-1992). Deputado federal por dois mandatos, desistiu de concorrer na última eleição.

* MEIO AMBIENTE - Izabella Teixeira - Brasiliense, é bióloga e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. Tem mestrado em Planejamento Energético e doutorado em Planejamento Ambiental e se mantém à frente da pasta que assumiu em abril deste ano.

* MINAS E ENERGIA - Edison Lobão (PMDB) - Já ocupou a pasta no governo Lula. Reeleito para o Senado pelo Maranhão nas eleições de outubro, Lobão, de 74 anos, é ligado ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Antes sem experiência em energia, conquistou a confiança da presidente eleita.

* PLANEJAMENTO - Miriam Belchior (PT) - Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, de 52 anos, foi secretária da prefeitura petista de Santo André e é viúva do ex-prefeito da cidade Celso Daniel. Levará para o Planejamento a gestão do PAC.

* PREVIDÊNCIA SOCIAL - Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Aos 63 anos, foi eleito este ano para um terceiro mandato de senador. Com intensa carreira política, foi duas vezes governador do Rio Grande do Norte, prefeito de Natal e três vezes deputado estadual. Presidiu o Senado entre 2007 e 2009. É formado em direito e jornalista de profissão.

* RELAÇÕES EXTERIORES - Antonio Patriota - Ex-embaixador do Brasil em Washington, tem boas relações com autoridades norte-americanas. Patriota, de 56 anos, defende a ampliação da relação do Brasil com a África e a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

* RELAÇÕES INSTITUCIONAIS - Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (PT) - Deputado federal reeleito para um quarto mandato a partir de 2011, é presidente do PT-RJ e foi líder da bancada na Câmara entre 2007 e 2008. Ex-metalúrgico, trabalhou no estaleiro Verolme em Angra dos Reis e presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade em 1987. Em 1993, assumiu a prefeitura de Angra dos Reis (RJ). Tem 52 anos.

* SAÚDE - Alexandre Padilha (PT) - Médico infectologista graduado pela Unicamp com pós na USP, de 39 anos, é militante petista desde o movimento estudantil. Em 2009 assumiu a pasta das Relações Institucionais, responsável pela articulação política. Ainda quando ocupava a subchefia de Assuntos Federativos do Planalto acompanhava a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff em reuniões da base aliada. Foi diretor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

* TRABALHO - Carlos Lupi (PDT) - Representante do PDT no primeiro escalão, comandou a pasta no governo Lula a partir de 2007 e alavancou a geração de empregos. Usou os instrumentos que estavam ao seu alcance, como o conselho curador do FGTS e o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), para expandir o crédito durante a crise econômica mundial de 2008/2009.

* TRANSPORTES - Alfredo Nascimento (PR-AM) - Derrotado na disputa pelo governo do Amazonas neste ano, Nascimento já comandou a pasta nos dois mandatos do presidente Lula. Foi prefeito de Manaus e eleito senador em 2006.

* TURISMO - Pedro Novais (PMDB- MA) - Advogado, exerce seu sexto mandato como deputado federal. Tem 80 anos e elegeu-se pela primeira vez em 1983. Antes, foi deputado estadual, em 1979. Já integrou as comissões de Orçamento, Constituição e Justiça e Finanças e Tributação. Há duas denúncias contra ele publicadas na imprensa depois de sua indicação.

* SECRETARIA-GERAL - Gilberto Carvalho (PT) - Chefe de gabinete de Lula desde 2003, é amigo pessoal e homem de confiança do presidente. Paranaense nascido em 1951, é católico praticante ligado à Igreja Católica. Fará a ponte do governo com entidades da sociedade civil.

* SECRETARIAS: Moreira Franco (PMDB-RJ) (Assuntos Estratégicos); senadora Ideli Salvatti (PT-SC) (Pesca e Aquicultura); deputada Maria do Rosário (PT-RS) (Direitos Humanos); Luiza Helena Bairros (PT) (Igualdade Racial); Helena Chagas (Comunicação); Leônidas Cristino (PSB) (Portos), deputada Iriny Lopes (PT) (Políticas para as Mulheres)

* ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO (AGU) - Luís Inácio Lucena Adams, mantido; CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) - Jorge Hage, mantido; GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL (GSI) - general José Elito Siqueira; CHEFE DE GABINETE - Giles Azevedo.

Por Carmen Munari e Hugo Bachega
Foto: Divulgação

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ciro Gomes fica de fora do ministério Dilma

21 de dezembro de 2010

JEFERSON RIBEIRO - REUTERS
O deputado Ciro Gomes (PSB) não vai fazer parte do ministério da presidente eleita Dilma Rousseff, informou à Reuters nesta terça-feira o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Ciro havia sido convidado por Dilma para integrar sua equipe e manifestou aos membros do PSB que gostaria de ocupar a pasta da Saúde. Como a presidente optou por nomear o atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), para o posto, Ciro declinou do convite.

"Ele recusou (o convite). Ele prefere esperar para uma segunda oportunidade. Quando o nome dele foi aventado, ele preferia o Ministério da Saúde, mas como esse ministério já estava compromissado ele preferiu recusar o convite", disse Amaral.

Ciro Gomes, que comandou a pasta da Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pretendia concorrer à Presidência da República neste ano, mas foi desestimulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que priorizou a candidatura de Dilma.

Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Lula, estará com Dilma nesta tarde junto com o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, para tentar fechar as indicações do partido, que vai ficar com as pastas da Integração Nacional e de Portos, acrescida de Aeroportos.

Cid já esteve negociando com Dilma e a presidente eleita também teve conversas com Eduardo Campos, presidente do partido e governador de Pernambuco.

"O governador Cid e eu nos reuniremos com a presidente Dilma para bater o martelo sobre os nomes", contou.

Para a Integração, o mais cotado é o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, indicado por Eduardo Campos.

Para a secretaria de Portos e Aeroportos concorrem o líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), e o secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia.

O PSB foi um dos partidos que mais cresceu nas últimas eleições e a partir do ano que vem governará seis Estados. A legenda pretendia obter pelo menos três pastas e vai ficar com duas, mesma quantidade que tem no governo Lula. Dilma já anunciou 30 nomes dos 37 que compõem o ministério.

(Reportagem adicional de Leonardo Goy)

FONTE: Estadão

sábado, 18 de dezembro de 2010

Diploma - Dilma exalta Lula e diz que defenderá estabilidade econômica


18 de dezembro de 2010

Em um momento do curto discurso, Dilma pareceu que ia chorar, fez uma pausa, mas segurou as lágrimas. E disse que sua eleição mostrou a maturidade da democracia brasileira, que, segundo ela, rompeu preconceitos

Dilma Rousseff (PT) recebeu, na tarde de ontem, o diploma de presidente da República das mãos de Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em ato que precede a posse no Palácio do Planalto, no dia 1º de janeiro, Dilma leu um discurso, em pouco mais de seis minutos, em que fez elogios ao processo eleitoral brasileiro, ressaltou sua trajetória política e a situação de mulher. Também elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É uma imensa emoção receber esse diploma”, disse. “Tenho enorme disposição de trabalho e estou cheia de esperança para um futuro que acabou de chegar. Sei da responsabilidade de suceder um governante da estatura do presidente Lula e sei dos desafios que nosso futuro comporta.”

Dilma disse que sua eleição, em outubro, mostrou maturidade da democracia brasileira, pois “rompe com os preconceitos, desafia os limites e enche de esperança um povo sofrido”.

Ela creditou os avanços do Brasil, inclusive com uma mudança de mentalidade que permitiu a sua chegada à Presidência, ao presidente Lula. “Quanto orgulho temos ao ver um homem do povo conduzir o País para tanto avanço social e econômico. Tanto avanço que fez o povo eleger uma mulher presidenta”, completou Dilma.

A presidente eleita, por fim, ressaltou que cuidará da “estabilidade econômica e do investimento, tão necessários ao crescimento” do País.

O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), também foi diplomado, mas não discursou.


Estilo

Exibindo uma sobriedade e um estilo que já a diferenciam de Lula, Dilma prometeu ainda defender a liberdade de imprensa e de culto.

No curto discurso, de seis minutos e meio, ela ainda destacou algumas das prioridades de sua futura gestão, como a educação, a segurança das comunidades e a saúde de todos os brasileiros. Por um momento, pareceu que ia chorar e fez uma pausa. Mas segurou as lágrimas.

Para a cerimônia, a presidente eleita convidou a mãe, Dilma Jane, e a filha, Paula. Também foram chamados os ministros já escolhidos, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), além dos três coordenadores de sua campanha, apelidados de “três porquinhos’: Antonio Palocci, futuro ministro da Casa Civil, José Eduardo Cardozo, que assumirá a Justiça, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Dilma também levou para a cerimônia a jornalista Maria Olga Curado, responsável pelos exercícios de aikidô que garantiram tranquilidade à candidata, durante a campanha.

Após a solenidade, participou de coquetel comemorativo no Itamaraty. A presidente eleita chegou ao lado de Lula e Temer. (das agências de notícias)


O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Diplomação é uma etapa formal imprescindível para que o candidato possa tomar posse. Nela, a Justiça Eleitoral reconhece o candidato como eleito e declara-o apto a tomar posse. A partir da diplomação, abre-se prazo de 15 dias para a impugnação do mandato.

FONTE: O POVO
FOTO: Valter Campanato/ABR

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ouvido sobre sondagem de Dilma, Ciro pede ‘tempo’

12 de dezembro de 2010

Em viagem ao exterior, Ciro Gomes foi ouvido sobre a sondagem feita por Dilma Rousseff para que ele retorne ao Ministério da Integração Nacional.

Pediu tempo para pensar. Ficou de dar a resposta nesta semana. Dilma espera fechar a negociação com o partido de Ciro, o PSB, antes de quarta-feira (15).

Conforme noticiado pelo Painel, na Folha, a ideia de devolver Ciro à Esplanada foi exposta por Dilma ao governador pernambucano Eduardo Campos.

O blog apurou que Campos, presidente nacional do PSB, acionou o irmão de Ciro, o governador cearense Cid Gomes, também filiado ao partido.

Coube a Cid contactar Ciro. Ouviou-o pelo telefone, na sexta-feira (10). Depois, informou a Campos sobre o pedido de tempo.

Ciro já ocupou a pasta da Integração Nacional sob Lula.

Nomeado em 2003, deixou o cargo em março de 2006, para disputar uma cadeira de deputado federal.

Eleito, revelou-se um legislador em litígio com a atividade legislativa. Tornou-se um faltoso contumaz.

Desgostoso, absteve-se de concorrer à reeleição neste ano de 2010. Tentou empinar uma candidatura presidencial. Porém...

Porém, foi alijado da disputa pelo PSB, que preferiu associar-se, a pedido de Lula, à coligação vitoriosa de Dilma Rousseff.

No primeiro turno da eleição, Ciro dedicou-se à reeleição do irmão Cid, no Ceará. Só no segundo round achegou-se ao comitê de Dilma.

O nome de Ciro não constava da lista de candidatos a ministro que o PSB levou a Dilma.

Para a pasta da Integração Nacional, o nome sugerido foi o de Fernando Bezerra, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco.

Na hipótese de Ciro responder positivamente ao aceno de Dilma, Bezerra deve ser deslocado para a Secretaria Nacional de Portos.

Se preferir, o próprio Ciro pode optar pela secretaria de Portos. Nesse caso, cogita-se vitaminá-la com o acréscimo da gestão dos aeroportos.

O simples pedido de tempo de Ciro foi recebido em Brasília como um sinal alvissareiro. Receava-se que ele refugasse a oferta de Dilma de bate-pronto.

Agora, aguarda-se pela resposta do quase ex-deputado para fechar o desenho da participação do PSB na equipe de Dilma.

Afora essa pendência, os operadores de Dilma tentam convencer Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) a aceitar a nova pasta das Micro e Pequenas Empresas.

Convertido em ministro, Valadares se licenciaria do Senado, cedendo a cadeira ao suplente José Eduardo Dutra, presidente do PT federal.

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Escrito por Josias de Souza às 03h55

FONTE: FOLHA ONLINE - BLOG DO JOSIAS
FOTO: SIDINEI LOPES/FOLHA

sábado, 11 de dezembro de 2010

Dilma tenta acomodar Ciro Gomes no seu ministério

11 de dezembro de 2010

Reza a tradição: em política, o sujeito não pode estar tão próximo que amanhã não possa estar distantes nem tão distante que amanhã não possa se aproximar.

Tome-se o caso de Ciro Gomes (PSB-CE). Empurrado por Lula para fora do tabuleiro presidencial, tomou distância.

Na virada do primeiro para o segundo turno, reaproximou-se. Virou um dos coordenadores do comitê de Dilma Rousseff.

Agora, como que decidida a encurtar todas as distâncias, Dilma tenta devolver Ciro à Esplanada.

Leia-se, a propósito, o par de notas que abre o Painel, editado pela repórter Renata Lo Prete, na Folha:

- Que tal Ciro? Em conversa com o presidente do PSB, Eduardo Campos, que entrou pela madrugada de ontem, Dilma Rousseff ressuscitou a ideia de levar Ciro Gomes para o primeiro escalão na cota do PSB.

No desenho proposto por ela, Ciro voltaria para a Integração Nacional e Fernando Bezerra, que Campos havia escolhido para essa pasta, assumiria a Secretaria de Portos.

Caso Ciro recusasse a oferta, Bezerra ficaria com a Integração, deixando Portos para Beto Albuquerque.

A volta do nome de Ciro, que está no exterior, levou a uma série de conversas internas no PSB ontem. A definição deve ficar para quarta-feira.

- Escanteio: Dilma não gostou da entrevista em que Antonio Carlos Valladares (PSB-SE) manifestou desinteresse em assumir o Ministério da Micro e Pequena Empresa.

A petista se viu com a faca no pescoço, já que é conhecida sua intenção em levar José Eduardo Dutra à vaga de Valladares no Senado.

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Escrito por Josias de Souza às 06h14

FONTE: FOLHA ON LINE - BLOG DO JOSIAS

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cearenses fora do novo ministério

6/12/2010


Deputados reclamam da exclusão, até o momento, de nomes para o primeiro escalão do Governo Federal

Alguns deputados estaduais não estão satisfeitos com o fato de até agora nenhum cearense ter sido contemplado na montagem do Governo da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Na última sessão ordinária que ocorreu na Assembleia, sexta-feira, deputados foram à tribuna reclamar pelo fato de o Estado está sendo preterido.

Dez nomes já foram cotados para assumir cargos na administração de Dilma Rousseff que tem início em janeiro do próximo ano. O deputado Ely Aguiar (PSDC) observa que nessa disputa por cargos outros estados estão tendo muito mais força política do que o Ceará.

Ele cita como exemplo o Maranhão, Estado natal do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), que já conseguiu a indicação do senador Edison Lobão (MA) para voltar ao Ministério de Minas e Energia.

Para o parlamentar, o "esforço titânico" feito pelo governador Cid Gomes, principalmente, no segundo turno das eleições presidenciais, não está sendo reconhecido por Dilma Rousseff. Ely Aguiar lembra que o Ceará foi um dos estados que deu à presidente eleita uma votação expressiva.

"O esforço que se fez e que o governador fez para a eleição de Dilma, garantiu a ela, no Ceará, a segunda maior votação do País, quase 80%, e ser tratado mais uma vez a pão e água? Pelo visto o nosso Estado não será contemplado com um ministério, talvez com um cargo de segundo ou terceiro escalão", conjectura.

Ciro

O deputado destaca que até o momento Ciro Gomes (PSB), que também se empenhou na campanha da petista, não foi chamado para compor o governo de Dilma Rousseff. Ely Aguiar acredita que o Ministério da Integração, o qual Ciro Gomes já esteve à frente no Governo Lula, não deve voltar ao cearense. Isso porque, segundo ele, o presidente do PSB, Eduardo Campos, já declarou que vai indicar um nome para a pasta.

De acordo com Ely Aguiar, a mesma situação pode ser percebida no caso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em que Ciro seria indicado, mas o atual presidente vai ficar no cargo.

Definidas

O deputado Artur Bruno (PT) pondera que Ciro Gomes tem experiência para assumir qualquer cargo no País. Ele presume que Ciro deverá ser aproveitado no Governo de Dilma Rousseff, argumentando que ainda não foram definidas todas as nomeações do primeiro escalão do novo Governo.

Artur Bruno concorda que um parlamentar cearense ser nomeado como ministro é importante para o Estado, entretanto, entende que isso, por si só, não garante prioridades.

Na avaliação do deputado Cirilo Pimenta (PSDB) falta mais vigilância dos políticos cearenses. "O Ceará há muito tempo não tem um bom coordenador de bancada que discuta as questões levantada pelos cearenses no Congresso. O deputado Fernando Hugo (PSDB) concorda com o colega tucano, avaliando que mesmo um cearense sendo "aquinhoado" com um cargo não garante os recursos prometidos ao Estado.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: RODRIGO CARVALHO

 
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