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domingo, 2 de janeiro de 2011

QUEM É DILMA ROUSSEFF - A trajetória de vida de Dilma Vana Rousseff


2/1/2011


Dilma tem uma biografia que se confunde com os fatos mais marcantes da história do Brasil

O 1º de janeiro de 2011 ficará marcado para sempre como um dos fatos mais importantes da história política e social do País. Ontem, em um sábado fora do comum na Capital Federal, o mundo inteiro esteve de olhos e ouvidos bem abertos para acompanhar o momento em que a primeira mulher recebeu a faixa presidencial no País.

Eleita no dia 31 de outubro com 12 milhões de votos, Dilma Vana Rousseff tem uma biografia que se confunde com os fatos mais marcantes da história recente do Brasil, como a luta contra a Ditadura Militar, a redemocratização do País e a divisão da ordem política em dois principais blocos comandados pelo PT e pelo PSDB.

De origem búlgara, Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Começou a vida política ainda no colegial, na oposição ao regime de 1964. Participou da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (Polop), movimento que reunia dissidentes do PCB e do PSB.

Na Polop, conheceu o primeiro marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Ao lado dele, optou pela luta armada e se juntou ao Comando de Libertação Nacional. Em 1970, foi presa e detida no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi torturada. Condenada pela Ditadura, foi levada ao Presídio Tiradentes. Libertada no fim de 1972, mudou-se para Porto Alegre, terra de seu marido Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve a filha, Paula.

No Rio Grande do Sul, cursou Ciências Contábeis e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). No estado, ela comandou a Secretaria de Finanças de Porto Alegre, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) e a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações.

Com um ano de PT, Dilma foi convidada para assumir no primeiro Governo Lula o Ministério das Minas e Energia com a missão de evitar um novo apagão. Na pasta, criou um modelo para regulamentar o setor energético e lançou o projeto "Luz para Todos", que tem o objetivo de levar energia elétrica para as comunidades rurais.

No estopim da crise do mensalão, em 2005, Dilma substituiu José Dirceu na Casa Civil, passando a se concentrar na gestão do Governo e nos programas prioritários para Lula.

No fim de 2006, participou da elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de obras de infraestrutura com investimentos federais. Por conta de sua capacidade administrativa, ela foi incluída nas especulações eleitorais.

Indicada por Lula para ser sua substituta, Dilma passou por uma metamorfose. O lado durão foi substituído por sorrisos e os óculos de grau por lentes de contato.

Na disputa com o tucano José Serra, teve de superar boatos sobre sua vida pessoal, seu passado no combate à Ditadura e mesmo sobre sua saúde, embora tenha superado o câncer linfático que descobriu possuir em abril de 2009.

Dilma venceu as eleições com cerca de 56% dos votos . Aos 63 anos, assume seu primeiro cargo eletivo, ao lado do vice Michel Temer, com a função de dar continuidade a um projeto político iniciado pelo seu antecessor. É o fim da era Lula e o início de uma década em que o País deve retomar os avanços e conquistas.

AMÉRICA LATINA
Apenas 11 países já tiveram mulheres na Presidência

A economista Dilma Rousseff assume a Presidência do Brasil com o desafio de colocar sua marca num país que nunca teve uma mulher neste cargo, tarefa similar à de outras mulheres no exercício do poder na América Latina.

No continente que tem 33 países, apenas a Argentina teve duas mulheres no comando da nação. Outros oito países tiveram uma mulher presidente: Bolívia, Haiti, Nicarágua, Equador, Guiana, Panamá, Chile e Costa Rica. Nesse grupo, sete foram eleitas e três ocuparam a presidência interinamente.

Dilma será a 11ª presidente na América Latina. Assim como as outras líderes da região, ela também terá o dever de mostrar que é capaz de exercer o poder sem a tutela masculina e sem a sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu mentor político.

O mesmo desafio é enfrentado pela presidentes da Argentina e da Costa Rica, Cristina Kirchner e Laura Chinchilla, que, ao longo do mandato, lutam para conduzir seus respectivos países com suas próprias decisões e objetivos políticos, livrando-se do estigma de ter sido primeira-dama ou de ter um presidente como padrinho.

Laura recebeu a faixa presidencial de Óscar Arias, companheiro de partido e de quem ela foi ministra da Justiça e vice-presidente. Durante o governo Arias, ela lançou o primeiro plano da política costarriquenha. Em sete meses de mandato, Laura tem se distanciado do líder local, imprimindo sua marca no país.

Já Cristina, quando ocupou o Senado demonstrou ser mais eficiente que o e marido, Néstor, que também foi presidente. No entanto, após receber a faixa do marido parecia não ter uma trajetória na política.

A ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, mostrou que não era apenas uma criação do ex-presidente Ricardo Lagos, mas uma figura pública. Antes de ocupar o palácio de La Moneda, ela teve a sensível tarefa de ser ministra da Defesa para negociar com forças armadas ainda influenciadas pela figura do ex-ditador Augusto Pinochet.

No Chile, Bachelet implementou uma política de paridade e programas sociais que favorecem a mulher. Como reconhecimento de suas políticas em prol das causas femininas, ela assumiu, ontem, a direção executiva da organização ONU Mulheres, entidade criada para reunir as políticas de promoção dos direitos das mulheres.

JULIANNA SAMPAIO
ESPECIAL PARA A NACIONAL

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: REUTERS

MOMENTO HISTÓRICO - Lula entrega faixa à primeira mulher presidente do Brasil


2/1/2011


No discurso, Dilma elogiou o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve"

Brasília Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), a primeira mulher presidente da República, tomou posse às 14h50 (horário de Brasília) de ontem para o período de primeiro de janeiro 2011 a 31 de dezembro de 2014, em cerimônia dirigida pelo presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP).

A forte chuva em Brasília impediu o desfile em carro aberto que a presidente faria da catedral até o Congresso, mas cessou no momento em que ela subiu a rampa para receber a faixa presidencial das mãos de Lula. O público que foi à Esplanada dos Ministérios era estimado em 30 mil pessoas pela Polícia Militar.

Várias vezes durante a cerimônia os convidados que lotaram o plenário da Câmara aplaudiram de pé a presidente recém empossada e entoaram o hino da primeira eleição disputada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a estrofe "olê, olê, olá. Dilma, Dilma!".

Em seu primeiro discurso, a presidente Dilma Rousseff começou por fazer duas homenagens: às mulheres brasileiras e ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Venho para abrir portas para que, no futuro, muitas outras mulheres possam ser presidentas e para que todas as brasileiras sintam orgulho de ser mulher", disse Dilma, ao reafirmar seu compromisso de "honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos".

Faixa
No discurso que fez ao povo reunido na Praça dos Três Poderes, após receber a faixa do agora ex-presidente da República de Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente focou em elogiar o seu antecessor a quem chamou de "o maior líder popular que este País já teve".

Ela disse que o presidente Lula deverá contribuindo com o governo, mesmo após deixar o cargo. "Lula estará conosco. Sei que a distancia de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade", afirmou.

"Ter a honra de seu apoio, privilegio de sua convivência, aprendido com sua imensa sabedoria são coisas que se guarda para a vida toda", destacou.

Ela disse estar feliz "como raras vezes estive" - e fez uma homenagem aos "companheiros que tombaram na caminhada", referindo-se à resistência política durante o período da ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada.

No parlatório do Palácio do Planalto, ela repetiu pontos do discurso feito no Congresso Nacional e disse que irá governar "para todos os brasileiros". "Cuidarei com muito carinho dos mais frágeis".
Dilma também lembrou o ex-vice-presidente José Alencar, que não pôde comparecer à posse. Ele faz tratamento contra um câncer e está hospitalizado em São Paulo, "A força dessa transformação (conduzida por Lula e José Alencar) permitiu que o povo brasileiro tivesse uma nova ousadia: colocar pela primeira vez uma mulher na presidência do Brasil", afirmou. Emocionada, Dilma finalizou sua fala, dizendo que o Brasil tem condições de se tornar o "maior e o melhor país para se viver".

Hoje, Dilma comanda a primeira reunião de coordenação de governo. Os ministros tomam posse ontem. A primeira preocupação da presidente é definir o corte nas despesas do Orçamento, estimado em estudos preliminares em pelo menos R$ 20 bilhões.

Despedida de Lula

Após passar a faixa para Dilma, Lula saiu do parlatório. Depois do discurso, a presidente e o vice acompanharam o ex-presidente na descida da rampa do Planalto.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o protocolo na sua despedida do Palácio do Planalto. Depois de descer a rampa com a presidenta da República, Dilma Rousseff, o vice, Michel Temer, e a mulher Mariza Letícia, Lula foi abraçar as pessoas na Praça dos Três Poderes. O presidente também cumprimentou vários dos seus ex-ministros

O ex-presidente ficou vários minutos no meio do povo provocando uma grande agitação na segurança. Em seguida, entrou no carro e se dirigiu para a Base Aérea de Brasília, onde foi recebido por um grupo de pessoas que um aplaudiu e gritou o seu nome.

Antes de embarcar no Aerolula para São Paulo, o ex-presidente ainda ouviu uma banda tocar, entre outros, o "Tema da Vitória" e o hino do Corinthians, clube do qual é torcedor assumido.

PRESTÍGIO
Chefes de Estado cumprimentam a presidente

Ao receber os cumprimentos das autoridades estrangeiras, no Palácio do Planalto, depois do discurso no parlatório, a presidenta Dilma Rousseff levou mais tempo conversando com alguns líderes políticos. Elas também os abraçou e posou para fotografias. Foram os casos da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica.

Com Hillary, Dilma alternou a conversa em inglês e em português. O tradutor se manteve ao lado das duas para dar suporte. Ambas sorriram e, segundo assessores, há a possibilidade de uma reunião bilateral amanhã (2), no Planalto.

A conversa com Chávez foi mais demorada. O presidente venezuelano foi um dos primeiros líderes estrangeiros a elogiar publicamente a candidatura de Dilma à Presidência da República. Ao chegar a Brasília, Chávez voltou a elogiar Dilma e a reiterar que a tendência, na gestão da presidenta, é a intensificação da política regional.

Dilma conversou demoradamente com Mujica e a mulher dele, a senadora Lucía Topolansky. Como a presidenta, o casal uruguaio tem um passado de luta armada contra a ditadura militar. O cumprimento de Mujica e da primeira-dama uruguaia a Dilma gerou comentários entre eles que os levaram a um sorriso.

Ao abraçar o paraguaio Lugo, Dilma também se demorou. O presidente do Paraguai se recupera de um câncer e ainda apresenta sinais dos efeitos das sessões de quimioterapia - está careca e aparentemente pálido.

O Itamaraty informou que estiveram presentes representantes de 132 países nas cerimônias de posse de Dilma. Mas foram, no total, aproximadamente 80 autoridades entre presidentes, primeiros-ministros, chanceleres e também o príncipe Felipe da Espanha.

Repercussão internacional

Os principais jornais estrangeiros destacaram em suas primeiras páginas onlines a posse da presidente Dilma Rousseff. Os veículos ressaltaram o fato de ser a primeira mulher eleita presidente e também o fato de ser a sucessora e a escolhida por Lula, que deixa a presidência com popularidade recorde.

O norte-americano "The Wall Street Journal" trouxe a notícia no alto de sua página, ressaltando que Dilma tem a responsabilidade de continuar o legado de seu antecessor.

O jornal mencionou o discurso da petista no Congresso e informou que ela reforçou os progressos ocorridos durante o mandato de Lula, principalmente na luta pela erradicação da pobreza, mas que ainda há o que fazer a respeito.

O argentino "Clarin" também trouxe, no alto de sua homepage, imagens e a notícia da posse, apontando que é a primeira mulher presidente e que substituirá Lula, que deixa o cargo com 87% de aprovação. O jornal ressaltou que Lula sai "após oito anos de gestão e com a uma popularidade sem precedentes", citou.

O francês "Le Monde" também destacou a informação em suas páginas online, com fotos de arquivo. "Escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe suceder, ´Dilma´, como é chamada no Brasil, é promessa de garantir a ´continuidade´ política, diplomática, econômica e social do atual governo", informou o jornal.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: BRUNO DOMINGOS/REUTERS

Dilma promete governar para todos do País


2/1/2011


Durante 40 minutos, a presidente do Brasil falou das missões e prioridades do novo governo presidido por ela

Brasília. Em seu discurso de posse, a presidente Dilma Rousseff falou principalmente do legado deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou que sua missão no cargo será ampliar as conquistas dos oito anos de governo de seu antecessor. Logo no início do discurso, ela foi interrompida por aplausos no Plenário do Congresso Nacional, ao fazer referência ao fato de ser a primeira mulher eleita para a presidência da República.
“Será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão. Meu compromisso é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”, declarou ela, que assinou o termo de posse pouco antes.

Sobre seu compromisso a partir desta data histórica, afirmou: “Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Dilma continuou: “A maior homenagem ao presidente Lula é ampliar a avançar as conquistas de seu governo. Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem de nossa história. Minha missão é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma nação das mais geradoras de oportunidades”.

Ela citou como missões “honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos”. Ao citar conquistas do governo do qual fez parte, primeiro como ministra das Minas e Energia e depois como chefe da Casa Civil, Dilma disse que há ainda muito a fazer. “Reduzimos nossa dívida social, resgatamos milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudamos outros milhões a alcançarem a classe média. Mas é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar os caminhos e buscar novas soluções. Podemos ser de fato uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social. Para enfrentar esses grandes desafios, é preciso manter os fundamentos que nos levaram até aqui e agregar novos valores”, discursou.

A presidente reafirmou um compromisso de campanha: erradicar a miséria no Brasil. “Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem comida na mesa”, prometeu. Em seguida, Dilma abordou a preocupação com o crescimento econômico e a estabilidade da economia. Caminhos, segundo ela, para sua meta de erradicação da miséria. “É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e novas gerações, é com crescimento que venceremos a desigualdade de renda e desigualdade de desenvolvimento regional. Isso significa manter a estabilidade econômica como valor”.

“Não permitiremos que essa praga (a inflação) volte a corroer nosso tecido econômico e castigar nossas famílias mais pobres”, garantiu.

Outras prioridades

Entre suas prioridades a presidente incluiu outros itens: “Junto com a erradicação da miséria será prioridade no meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança”, disse. Ainda durante o discurso, Dilma prestou homenagem ao vice-presidente de Lula, José de Alencar, que está internado no Hospital Sírio-Libanês e não pode ir à posse. Ela referiu-se ao vice-presidente como um “grande homem”. “Quero, neste momento, prestar minha homenagem ao grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula, o vice-presidente José Alencar”.

A presidente chegou ao Congresso pouco depois das 14h30 (horário de Brasília). Ao lado de Dilma, na solenidade de posse, estavam o vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP); o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS); e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluso. Às 14h50, Dilma prestou o compromisso constitucional e minutos depois Sarney declarou-a empossada no cargo, junto com o vice, Michel Temer. No Plenário do Congresso, gritos de “Dilma, Dilma” vindos da plateia e logo em seguida, a execução do hino nacional. Às 15h, Dilma e Temer assinaram o termo de posse.

GOVERNO FEMININO
População brasileira espera sensibilidade da nova líder

A posse da primeira mulher na Presidência da República alimenta expectativas de que o Governo terá mais sensibilidade social. A opinião é do público que compareceu, na manhã de ontem, à Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, para acompanhar a posse de Dilma Rousseff. Cerca de três mil pessoas se aglomeraram no local.

“Ela vai ter olho para enxergar mais além. Mulher tem um lado mais sensível”, explicou a dona de casa Norvenda Vieira, 50 anos, moradora do Distrito Federal.

Além de mais sensibilidade, há quem acredite em mais disposição política. “A gente [tem outro pensamento, a gente vai atrás, vai buscar”, explicou Marilene Nunes, 34 anos, gari que está trabalhando na posse da presidenta.

A alta expectativa em torno do primeiro mandato de uma presidenta não é só das mulheres. “Esse é um mandato histórico”, falou Luiz Mauro Gonçalves, relações pública que chegou ontem em Brasília vindo de Vitória (ES). Ele espera que Dilma faça um governo técnico, mas sem esquecer dos movimento sociais e que sua passagem pelo poder aumente o interesse das mulheres pela política.

O índio Aisanain Baltu Kamaiurá, estudante de doutorado em linguística na Universidade de Brasília (UnB), acredita que Dilma contribuirá para que “os brasileiros paguem a dívida com os povos indígenas” e para que o País avance na demarcação de terras indígenas.

Já a advogada rondonense Maria Cristina Batista, 35 anos, acredita que Dilma terá “competência para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental”

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: REUTERS

45º GOVERNADOR - Cid: vamos trabalhar muito


2/1/2011


Dizendo estar com o gabinete de portas abertas para as boas ideias, o governador pediu a união de todos

O governador Cid Gomes (PSB) e o vice-governador, Domingos Filho (PMDB), tomaram posse ontem na Assembleia Legislativa. A solenidade foi rápida e acabou um pouco depois das 11 horas. De lá, o governador, vice e demais autoridades seguiram para Brasília onde acompanharam a posse da presidente eleita Dilma Rousseff (PT).

Cid Ferreira Gomes, 47 anos, foi reeleito no primeiro turno das eleições do dia 3 de outubro do ano passado com 2. 436.940 votos. Para este mandato ele é o 45º Governador do Estado do Ceará. Hoje, o seu vice-governador é Domingos Aguiar Filho (PMDB) que substitui a Francisco Pinheiro (PT).

Ontem, antes de ir para a Assembleia, Cid Gomes participou de um ato ecumênico realizado na Residência Oficial do Governo, que foi ministrado por representantes da Igreja Católica, igrejas evangélicas e da doutrina espírita.

Cid Gomes chegou à Assembleia às 9h30, acompanhado da esposa, Maria Célia e do filho mais velho, além do vice-governador Domingos Filho. Ele passou em revista a tropa e seguiu para o gabinete da Presidência da Casa. A sessão solene, aberta pelo presidente do Legislativo, deputado Gony Arruda (PSDB), foi iniciada às 10 horas.

Metas

Cid Gomes e Domingos Filho fizeram o juramento e foram declarados, por Gony Arruda, empossados para o mandato que vai até 31 de dezembro de 2014. Em seguida, o primeiro secretário da Mesa Diretora da Assembleia, deputado José Albuquerque (PSB), leu o termo de compromisso e posse que foi assinado pelo governador, vice e pelos integrantes da Mesa Diretora.

Após estar devidamente empossado o governador fez um discurso de 12 laudas, quando destacou as principais metas para o próximo governo, os projetos e ações já implementados na sua primeira gestão.

Cid Gomes também aproveitou o momento para fazer agradecimentos, ressaltando a importância dos pais, José Euclides e Maria José, e o nome do irmão, deputado federal Ciro Gomes (PSB). "Peço só uma licença e agradeço de público ao meu irmão Ciro Gomes. Meu exemplo como líder político e grande homem".

Ele destacou ainda o apoio recebido pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, agradecendo a realização de obras importantes para os cearenses como a Refinaria, Transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. Cid também agradeceu aos cearenses pela reeleição conquistada e reafirmou seus compromissos com o povo. "O Ceará tem que continuar avançando e consolidando as conquistas dos últimos anos", pontuou.

Avanços

O governador fez questão de ressaltar os avanços obtidos em sua gestão, salientando que o esforço em infraestrutura, empregos e serviço público revelou "progressos dignos de registro". Conforme o chefe do Executivo, de um total de R$ 1,8 bilhão aplicados no quadriênio 1999 a 2002, passou-se para R$ 2,6 bilhões nos quatro anos de sua administração.

"No meu Governo, o total de investimentos foi triplicado, alcançando quase R$ 7 bilhões, sem qualquer redução do patrimônio público e, ainda, com redução da dívida do Estado com relação ao PIB, a qual cresceu de 8,4%, em 2006, para 6,3% em 2010", constatou.

Cid Gomes pontuou a necessidade de se investir mais no social, declarando que é indispensável seguir integrando crescimento econômico e inclusão social. "Investir no social, apostar na distribuição de renda é a mais sábia política desenvolvimentista", salientou.

O governador citou todas as áreas que são de responsabilidade do Governo e as principais obras de grande porte como Siderúrgica, Refinaria e Transnordestina. Em relação a saúde, ele prometeu, "em 16 meses, o Ceará terá a melhor rede de saúde pública do Brasil".

O setor da segurança pública, segundo o governador, continuará recebendo todas as atenções, registrando, como ponto alto, a criação do Programa Ronda do Quarteirão. Já na área da educação, Cid Gomes enfatizou a construção das escolas de educação profissional, renovação dos acervos das bibliotecas escolares, elevação do orçamento para as Universidades Estaduais, prometendo lutar pela implantação de duas novas universidades federais, uma na Região Norte e outra no Cariri.

Indicadores

Contudo o governador não se ateve somente aos avanços, também reconheceu o que ainda precisa melhorar, lamentando indicadores como a taxa de homicídios dolosos e a de mortalidade de jovens. "Refrear o crescimento da violência, flagelo que se espraia por todo o País, é apenas um dos incontáveis desafios que nos aguardam a partir deste momento", atestou.

Cid Gomes prometeu manter a porta do seu gabinete de trabalho sempre aberta "às boas ideias, aos bons propósito, aos apoios e críticas", destacando que terá ao seu lado "um grande companheiro de jornada política", Domingos Filho, em quem disse que depositará "irrestrita confiança" e com quem compartilhará todas as responsabilidades da governança.

Sobre a Assembleia, Cid Gomes disse que guarda a certeza que contará com o apoio de uma "vigorosa bancada". Por fim, o governador reeleito se comprometeu em se esforçar para concretizar seu projeto de governo. "Vamos todos arregaçar as mangas e trabalhar muito, já a partir de agora".

PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS
Cortar gastos com custeio da máquina

Medidas de contenção de despesas na área de custeio serão adotadas pelo Governo do Estado logo no início da atual administração, a partir da próxima segunda-feira. Isso foi o que declarou, ontem, à imprensa o governador Cid Gomes, em entrevista coletiva, logo após sua posse na Assembleia Legislativa.

Ele não detalhou as medidas, mas informou que se trata de fazer um "enxugamento de gorduras" porque é da natureza do serviço público brasileiro, e no Ceará não é diferente, "o tempo vai passando e as gorduras vão se acumulando, desperdícios vão acontecendo. Então é importante que esse momento simbólico, de início de Governo, seja aproveitado para que se faça ajustes".

Cid Gomes fez questão de esclarecer que não se referia a contenção de recursos em folha de pessoal nem na área de investimentos. "Os investimentos que estão em andamento todos eles vão continuar sempre em ritmo muito acelerado". Mas, ressalta, custeio é sempre um item importante do Governo que merece cuidado no sentido de que desperdícios sejam contidos e evitados.

Ao responder a uma pergunta sobre a diferença entre a primeira e a segunda gestão disse que é a mesma pessoa, mas as condições atuais são melhores, porque quando assumiu o primeiro Governo se debatia com a falta de recursos para pagar a folha dos funcionários e teve que cometer o gesto duro de adiar o calendário de pagamento do dia três para o dia 11 de janeiro, aguardando a entrada de recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Estados (FPE) no dia 10.

Caixa

Hoje o Ceará tem outra condição, ressaltou ao enfatizar que estamos começando o ano com um volume significativo de recursos em caixa. "Como eu sou a mesma pessoa isso não quer dizer que eu não vá aproveitar esse primeiro ano para fazer enxugamento de gorduras".

Logo após a entrevista o governador Cid Gomes se deslocou a Brasília para participar da cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff. Ele retornará ao Ceará somente na terça-feira porque pretende participar da posse de alguns ministros na segunda-feira, informou ao Diário do Nordeste o novo chefe de gabinete do governador, deputado Ivo Gomes.

As primeiras medidas de contenção de despesas da atual gestão serão anunciadas segunda-feira, à tarde, pelo secretário da fazenda Mauro Benevides Filho. Ele informou que as medidas a serem adotadas tratarão da recomposição da estrutura financeira do Estado; do controle mais aprofundado das despesas e outras duas ou três na área tributária.

Reduzido

Quanto ao controle de despesas explica que quando o investimento aumenta muito é natural que o custeio suba sem maior acompanhamento. Então, "nós vamos ter que fazer essa redução e o que for reduzido no custeio nós vamos projetar como meta de investimento que é o grande objetivo do governo do Estado". Esclarece ainda que o Ceará saiu de uma capacidade de investimento da ordem de R$ 650 milhões/ano para R$ 3 bilhões em 2010. São cinco vezes mais, destaca, ao justificar a necessidade da recomposição, o que deve ser feito em um prazo de 90 a 120 dias, para que a velocidade de investimentos seja ainda maior.

Presenças

A posse do governador Cid Gomes (PSB) e do vice, Domingos Filho (PMDB), realizada ontem na Assembleia Legislativa, contou com a presença de cerca de 400 convidados, dentre parlamentares estaduais e federais, secretários, prefeitos municipais, lideranças políticas e autoridades constituídas.

Por ser um segundo mandato, não houve transmissão do cargo e Cid Gomes retomará os trabalhos na terça-feira. Com a continuidade da administração, muitos parlamentares e secretários torcem para que as ações iniciadas nos quatro anos tenham continuidade.

O deputado federal Ciro Gomes (PSB), apesar de não exercer nenhum mandato federal nos próximos quatro anos, prometeu que estará presente na discussão de projetos importantes para o Ceará, como a garantia de Siderúrgica e Refinaria, deixando claro que vai cumprir essa tarefa não porque seu irmão está no cargo de governador, mas pelo Ceará.

O senador eleito, Eunício Oliveira (PMDB), pontuou que a expectativa para os próximos quatro anos é positiva, apostando no crescimento de áreas que considera importantes para os cearenses, como saúde e educação, dentre outros.

O peemedebista alega que o governador tem consciência de que não foi possível realizar todos os projetos no primeiro quadriênio, pontuando que há prioridades para a gestão que inicia, como o desafio de universalizar o acesso a água potável, aumentar a rede de saneamento básico, elevar o nível da qualidade do ensino, investir na agricultura para fixar o homem no campo, consolidar os grandes investimentos, como a Refinaria, dentre outros.

A prefeita Luizianne Lins chegou já quase no fim do pronunciamento do governador Cid Gomes e sequer teve tempo de falar com os jornalistas. Todos os novos secretários também participaram do evento.


FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: VIVIANE PINHEIRO

 
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